sábado, 26 de maio de 2012

Revalidação do diploma de medicina no Québec. Reflexão.


Salut :)

Sei que sou enfermeira...não sou médica :) mas vou falar um pouquinho da dificuldade de revalidação de diplomas (aqui no Québec) para médicos brasileiros e de várias outras nacionalidades, como russos, indianos, ucranianos, etc. Não tenho muita propriedade no assunto, por isso vou falar o que escuto de médicos de várias partes do mundo e, também, com base no que leio nos jornais e na internet. O CMQ coloca uma barreira imensa para a revalidação desses profissionais, mesmo todo mundo sabendo que aqui falta médicos demais. Validar o diploma aqui exige muita persistência, humildade e a certeza de que quer ficar aqui para sempre, rsrs. Sem contar que a maioria tem mais de 35 ou 40 anos e aqui, como estudante estrangeiro, é claro que vai perder o status de doutor, o reconhecimento dos colegas e dos pacientes, etc, e ainda tem que saber trabalhar a discriminação.

Para nós enfermeiros, olhando pelo lado bom de todo o processo, até que é fácil revalidar nossos diplomas: bom nível de francês (atestado pelo office québécois de la langue française), documentação apresentada na nossa ordem, 1 mês de estágio em um hospital ou mais ou menos 6 meses no curso de integração et voilà... já pode trabalhar como CEPI (candidate à l'exercice de la profession d'infirmière).

Após isso, é só fazer o exame da ordem (OIIQ) e é enfermeira no Québec :) Facinho, né? rsrs Pois é!!! Nem tão fácil assim! Mas, se comparado com a dificuldade que é isso pros médicos e dentistas, realmente se torna fácil.

Se a profissão de enfermeira não tivesse uma demanda tão alta por aqui, com certeza teríamos as mesmas dificuldades que esses outros profissionais enfentam para revalidar seus diplomas. Essa é a grande diferença.

Mas, voltando pro título do post...conheço uma russa que após apresentar todos os seus documentos para a ordem dos médicos, a resposta deles foi que ela precisaria encarar mais 5 anos de faculdade aqui. O detalhe é: ela é pediatra com 7 anos de experiência. Uma indiana (com 15 anos de experiência) que conheço teve a mesma resposta que a russa: mais cinco anos de faculdade. Detalhe: a indiana já está aqui há cinco anos, gastou todas as suas economias...e está trabalhando de camareira num hotel. Sei...isso "pode" ser uma exceção.

O que leio nos jornais é que eles tem um campo muito fechado e uma vez que o profissional médico decide encarar todo esse tempo de faculdade ainda rola uma discriminação "cachée" (escondida, disfarçada).

Ter que voltar a estudar depois de anos e anos de experiência é desestimulante. Gastar toda ou quase toda a economia (sim, porque gastar aqui em dólar é gastar os reais em dobro)  vivendo de uma maneira "regrada" todo esse tempo de estudo é meio complicado, porque dinheiro vai muuuuuuito rápido. Sem esquecer das intermináveis, desgastantes e estressantes provas a fazer ao longo de todo o processo.

Esse post tem assunto pra mais de metro. Portanto, vou encerrar mostrando um vídeo que mostra essa discriminação. É em francês, mas acho que dá para entender, até porque a maioria dos meus leitores, rsrs, estudam algum nível de francês. Basicamente, fala que os pedidos para essa "residência" são, na maioria, recusados. Pra um determinado pedido de revalidação, falaram que "o seu diploma não é competitivo". Essa é a resposta básica. Sabemos que os países têm culturas diferentes e isso reflete  na maneira que a medicina é praticada. Agora o que o secretário do colégio de medicina do Québec disse passa do ridículo: "...os médicos da África e da América do Sul podem muito bem tratar doenças que não existem aqui no Québec, mas, aqui temos alzheimer, infarto, câncer, doenças que não tem nesses países simplesmente pelo fato que a população morre antes de atingir essas doenças...". Sem palavras as declarações desse doutor! 

Vejam o vídeo no link abaixo.


Abraços. Bom fim de semana. E não desistam dos objetivos.
Lu

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Carteira de motorista "québécoise"

Salut :)

Passada rapidinha somente para dizer que já posso sair atropeland...ops!, dirigindo :) por aí.
Ontem passei na minha prova prática de volante. Foi minha segunda prova, hehe! A primeira prova prática eu fiz em maio do ano passado  (reprovei) e como não ia comprar carro, resolvi deixar para mais tarde. Há 4 meses marquei meu novo exame e ontem deu tudo certo. Pequei 2 horas de aula prática na parte da manhã e na parte da tarde fiz a prova. O dia estava perfeito para provas:) chuvoso, frio...e eu um pouco nervosa com medo de reprovar de novo, rs.

Logo em seguida da prova é hora de pagar as taxas:

Examen pratique: $ 26,00
Droits du permis:  $ 15,20
Contribuition d'assurance: $ 57,79
Taxe sur assurance: $ 5,21
Frais d'administration: $ 18,50

Total: $ 122,70

Mais $96,00 por duas horas práticas em auto escola. Você pode pegar quantas horas você precisar.
Agora, só esperar que daqui a uma semana a minha carteira de motorista deve chegar no meu endereço.

Até mais. Abraços
Lu

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Et...voilà!!! DECIDI :)

Salut :)

Então, eu disse que voltaria assim que decidisse sobre qual hospital escolher. Tive 3 empregos na mão. E tive que escolher!!! Juro que fiquei estressada, tensão nas costas, aftas na boca, rsrs
Acontece que  a gente sempre fica pensando se fez a escolha correta, comparando, etc
Mas, não tem como saber! É pesar as propostas, pensar em todas as opções com atenção (se bem que como CEPI as ofertas não se diferem muito não), escolher e não olhar para trás. Encarar o novo desafio com toda a coragem que você tiver, se dedicar como se fosse seu primeiro emprego como enfa! É assim que eu me sinto. Como se fosse meu primeiro emprego como enfermeira...aquela insegurança...aquela curiosidade de saber como será o primeiro dia, o que realmente de fato eu vou fazer! É!!!

E...eis que o escolhido foi...Hôpital Général du Lakeshore, em Pointe Claire! Sei!!! Sei que é loooooonge pra chuchu!!! Mas, não tem quando o seu coração fala alto? (o meu coeur parle avec moi, não é lindo? kkk)
Quando você pensa, pensa e acaba gostando de uma determinada coisa em todos os sentidos? Pois é. Foi assim!

Mas, confesso que fiquei com muita dó de dispensar o hospital de Chateauguay (principalmente porque gostaria de me mudar para essa região num futuro próximo). A região é linda, trânsito bom, muito verde, o hospital é novo (foi inaugurado em 1988) e se direfe da maioria dos outros hospitais porque é nele que vai os índios que moram na redondeza, visto que tem uma reserva indígena nas suas proximidades (reserva de kahnawake).

Assim que começar a trabalhar com certeza voltarei :)

Bom fim de semana a todos. Abr.
Lu

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Fernandinho no soccer

Olá :)

Pra aguentar passar o inverno sem depressão, o mais aconselhado é que façamos esportes pra ajudar o tempo a passar e de quebra  liberar umas endorfinas...além de manter a boa forma. Estou comentando isso porque ouço  muitas conversas de crianças  (e adultos) com depressão séria. E a gente acaba  pensando que, por ser criança, os pequeninos estão livres da danada. Mas não é verdade. Não conheço, meus filhos graças a Deus ainda não ficaram deprimidos, mas leio muitos casos de crianças com depressão e acho que vale a pena dar uma pincelada aqui (esperar o que de uma enfermeira, né, rs). Utilidade pública, rs

Dados de pesquisas daqui mostram que a "deprê" começa em outubro e termina em março. Justamente todo o inverno. Cá entre nós, ninguém merece inverno longo, não é mesmo? Cientificamente essa depressão é conhecida como sazonal (em francês: dépression saizonnière) e ocorre porque ficamos menos expostos ao sol, induzindo a alterações hormonais e a um aumento da produção de serotonina, que é o hormônio que regula o  sono, dentre outras funções. Bem justificada a sua causa :)

Realmente deve ser  muito difícil para uma criança passar 6 meses saindo pouco, só de vez em quando, e quando sai é para ficar em locais fechados (na maioria das vezes). Só escola, todo dia, acaba sendo muito cansativo. Por isso é muito importante incentivar os pequenos a escolher um esporte pra ajudar a passar esse tempo frio.

Tenho dois filhos  e realmente, de vez em quando, a gente pode observar que eles ficam estressados e  irritados por qualquer coisa. Já é um alerta. E pra não deixar a depressão infantil pegar...esporte neles.
Meu filhinho de 6 anos escolheu fazer soccer (futebol). Gostou tanto que já está inscrito na segunda fase. Ontem à tarde fomos lá no ginásio da escola para ver a despedida deles dessa fase do soccer, que foi encerrada com uma "graciosa", rs,  partida. Adorei, deu para ver que ele está bem entrosadinho com o esporte. Ganhou até certificado de participação :)

O estádio é pintado de amarelo e laranja, acho que influenciou na qualidade das fotos.




Bjs. Lu

J'ai un job/I have un travail/tenho um trabalho :)

Salut :) bom dia a todos


À parte a brincadeirinha do título, estou muito feliz em dizer aqui, hoje, que mais uma etapa desse louco processo de imigração está se concluindo. Recebi, anteontem, resposta positiva dos dois hospitais que eu fiz entrevista. Estou empregada!!! Nos dois!!! Agora é só escolher :)
Depois de 1 ano e meio no Québec, só estudando...estudando...estudando!!! Momento de colher os frutos, né??? Tudo que a gente faz vale a pena :)

Mas, como fui chamada para fazer uma entrevista na rede de hospitais da Université McGill, ainda não vou decidir. Aceitei as duas propostas e vou esperar a entrevista e a resposta  da McGill para decidir. Juro que estou muuuuito balançada pelo hospital mais longe,  (mania de sofrer, rsrs) pois eles me disseram que nos postos que eu escolhi não tem vaga, mas... "temos uma vaga para acompanhar os idosos que recebem alta e vão pra casa e que precisam  de ensinamento", assim disse a gerente de recursos humanos. Quero tentar descobrir mais a fundo realmente quais são as tarefas de quem exerce esse posto. Estou achando que é um posto muito bom pra descartar só porque o hospital é longe. Vamos ver :)
Assim que eu decidir volto para dizer.

Só para relembrar a luta, rsrs




















Bjs a todos. Boa sorte. Lu

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Entrevista de emprego II

Olá :)

É... olha que está rendendo, rsrs
Após 1 dia da minha primeira entrevista de emprego, fiz a segunda entrevista. Segundo CV enviado, segunda entrevista agendada. Tá bom, né?

Então. Agora fui para o oposto do hospital que eu fiz a primeira entrevista: Chateauguay. Isso mesmo, região da Monterégie. Gosto muito dessa região. É tranquila, trânsito calmo, cidade com mais ou menos 46.000 habitantes e separada de Montréal apenas pelo rio São Lourenço.

Como moro em Île-des-Soeurs (uma pequena ilha do lado da ilha de Montréal-por aqui tem muitas pequenas ilhas), tenho a opção de ir para essa região por duas pontes. Como ainda não comprei carro, fui para a ilha de Montréal, peguei metrô por 10 minutos, depois mais 20 minutos de buzão e pronto. Estava no local da entrevista.

Comecei preenchendo os chatos, mas necessários formulários santé. Em seguida, passei por uma hora e 20 minutos de entrevista com a agente de recrutamento e a gerente de enfermagem. A g. de enfermagem, no começo, estava um pouco presa (acho que ela é um pouco seca mesmo :) ) e demorou um pouquinho para demonstrar simpatia. Mas...depois de uns quinze minutos de entrevista ela estava até sorrindo, rsrs

As perguntas da agente de recrutamento são mais ou menos as mesmas (acho) que de todos os lugares: sua experiência de trabalho, suas forças e suas fraquezas, como você conheceu o hospital, porque você se tornou enfermeira, como você trabalha seu estresse, como você faz para manter seus conhecimentos em dia, etc.

Já a gerente de enfermagem fugiu um pouquinho do que eu passei na outra entrevista e do que ouço de outras colegas. Ela me apresentou várias histórias de caso e em todas, o que ela queria era testar meu julgamento clínico, tipo: o médico prescreveu  250 g de um medicamento "X" via oral e você percebe que a dosagem é alta demais para o paciente. Qual a sua conduta? Você   liga para o médico? E se ele disser que é para dar mesmo assim o tal medicamento? Você vai dar?

A minha resposta foi NÃO. Se eu sei a dose certa por kilo do paciente, sei quais os efeitos secundários e esperados do medicamento, sei seu modo de ação, blá, blá, blá... eu decido por não dar o tal medicamento, dizer à enfermeira assistente, fazer notas de enfermagem e aguardar o médico passar a sua visita. E ela disse que a minha decisão estava correta :)

Outra pergunta: se você faz o PTI de um paciente (Plan Thérapeutique Infirmier), a enfermeira auxiliar pode fazer alterações nele? Não.

Rapidinho, pra quem ainda não conhece, o tal PTI é um formulário à parte que deve ser feito e ajustado  (pela enfermeira) para cada paciente, de acordo com as suas necessidades prioritárias.

Tenho observado que eles aqui gostam de respostas curtas e objetivas. Um exemplo claro disso é a prova da ordem das enfermeiras (que eu devo fazer em setembro). Uma pergunta ampla, muitas respostas curtas, claras e objetivas.

Gente, o post está tomando dimensões um tanto que grandinhas...acho melhor parar...rsrs

Grande abraço e boa sorte pra todos que estão na batalha.

Lu

Mission Bon Accueil/Welcome Hall Mission

Olá :)

Esse post de hoje eu já deveria tê-lo feito, mas a correria do dia a dia acabou me fazendo esquecer. Alguns dias atrás conheci um casal de brasileiros que chegaram aqui há alguns meses e estavam beeem apertados financeiramente. Alguém pra ajudar nessas horas? Claro que tem!!! Os amigos entram com a ajuda moral, rsrs, informações e dicas, porque  a maioria também está  com o cinto apertado.
Bom, nesse caso, a ajuda veio de uma instituição não governamental que se chama Mission Bon Accueil. Você liga lá, marca um "rendez-vous" (um encontro :)), leva os documentos que eles pedem e...voilá, começam a receber uma cesta de alimentos a cada 15 dias. No Natal ainda recebem o "panier de Noël", a nossa cesta de Natal, com direito a uma ave, castanhas e várias outras coisas. Ah, e presentes para as crianças.

Aqui no Canadá, vou dizer mais precisamente no Québec, até porque não conheço as outras províncias, tem muitas organizações que oferecem esse tipo de  ajuda aos imigrantes e aos próprios canadenses (québécoises) com baixa renda. Os produtos são bons, de boa qualidade, tudo doado por empresas tipo supermercado. Às vezes tem algum produto com a data de validade vencida (ops!!!) ou quase vencendo. Cabe a você receber e, no aconchego do seu lar, dar uma olhadinha e descartar o que você acha que não tem valor para você.

Quem escuta isso pode pensar que quem vai lá são pessoas bem pobres, mendigos, etc que realmente não tem dinheiro para comprar comida. Mas, é engano! Quem frequenta esse tipo de lugar é quem está "apertado"financeiramente, é quem ainda não arrumou um emprego e está gastando as economias, e ainda quem tem emprego, mas aceita numa boa esse tipo de ajuda pra diminuir os gastos com mercado no fim do mês, etc

Lá, você encontra gente de toda parte do mundo, com filhos pequenos, bem vestidos, bem educados...como também pode encontrar alguma pessoa grossa, estúpida, etc. Gente é gente em toda a parte do mundo, né, e gente grossa tem em todo lugar, rs

Mas para isso, tem que deixar o orgulho de lado. Não quero dizer se "humilhar", simplesmente porque não é esse o caso. Simplesmente é uma "ajuda" e quem não quiser é só não pegar. Simples assim, né? rs

Além de alimentos, eles também tem uma lojinha, chamada "boutique" que fica no mesmo prédio da Bon Accueil e que vende roupas usadas em boas condições de uso e também roupas novas tipo "ponta de estoque". Tudo a preços bem pequenininhos :)

A última novidade deles (que já funciona a algum tempo) é uma parceria com a Université MCGill, que faz alguns tipos de reparações e higiene dentária...de graça! É claro que alguns tipos de tratamento eles não fazem (como ortodontia), somente o básico para ajudar a quem não tem dinheiro para ir ao dentista. Com certeza também você deve enfrentar uma filinha de espera, mas nada demais :) Valendo lembrar que para você ter direito aos serviços dentários você precisa ter um dossiê na Mission Bon Accueil. Infelizmente para mim não dá, porque uso aparelho :(

Quem quiser dar uma olhada no site da Mission Bon Accueil, clique aqui

Abraços